Um terço das rádios brasileiras precisam trocar transmissores para se adaptar à transmissão digital

Relatório da pesquisa "Mapeamento das condições técnicas das emissoras de rádio brasileiras e sua adaptabilidade ao padrão de transmissão digital sonora terrestre" realizada pelo Laboratório de Pesquisa em Políticas de Comunicação da UnB (LAPCOM) mostra que a maioria das rádios está digitalizada na parte de produção, seja pelo uso de computadores ou equipamentos de gravação e reprodução. No entanto, 35% delas ainda funcionam com transmissor valvulado, especialmente entre as comerciais AM e educativas. Situação que merece reflexão a considerar que a capacidade de investimento manifestada por 81% das emissoras para troca dos transmissores não alcança US$150 mil.

 

Quanto ao rádio digital, a maior parte dos técnicos e gerentes de emissoras acompanham as discussões sobre o tema pela imprensa. Metade diz ter conhecimento básico sobre o funcionamento dessa tecnologia. Menos de 8% dos técnicos já participaram de algum treinamento e curso de especialização ou visitaram emissoras que realizaram testes com sistemas digitais.


O processo de discussão da mudança tecnológica é criticado pelos radiodifusores. Pouco mais de um quinto das emissoras diz que o processo está mais lento do que deveria (21%), que não tem sido realizado com a devida quantidade de informação (16%), e tem sido marcado pela ausência de políticas claras por parte do governo (16%).


Os radiodifusores estão à espera de políticas públicas para enfrentar a transição, como a isenção fiscal na compra de equipamentos (57%), estabelecimento de uma política industrial coerente (9%) e a abertura de linhas de crédito nos bancos oficiais para financiamento da modernização tecnológica das emissoras (8%).


Entre os radiodifusores há o temor de que processo de incorporação tecnológica e a falta de investimento, planejamento e estratégia poderão condenar emissoras, como as de Amplitude Modulada, por exemplo, ao isolamento do sistema de radiodifusão digitalizado caso não sejam tomadas medidas urgentes.


Ao mesmo tempo em que se manifestam otimismo em relação as vantagens que poderão obter com a implantação do rádio digital, os radiodifusores demonstram insegurança gerada pelas indagações que existem sobre a sobrevivência do meio, pelas dúvidas advindas com a crise comercial e financeira vivida pelo setor, somadas à falta de perspectiva da realidade atual.

A pesquisa
Participaram a pesquisa 750 emissoras, representando 96,45% das rádios instaladas no país. Desse grupo, 56% são FMs (incluídas 14% de comunitárias) e 43 % AMs. Predominam na amostra as emissoras comerciais. A maioria está instalada nas regiões Sul e Sudeste.


A pesquisa realizada pelos professores da Faculdade de Comunicação da UnB, Carlos Eduardo Esch e Nelia Del Bianco, é um diagnóstico inédito no país que reúne dados sobre as características técnicas, de produção e de infraestrutura física das emissoras; perfil dos profissionais; nível de conhecimento de técnicos e diretores sobre a transmissão digital; estratégias técnicas e econômicas de enfrentamento do processo de digitalização.


O conjunto de informações oferece subsídios para a construção de políticas públicas aplicadas ao processo de transição tecnológica do rádio analógico para o digital.

 

Rádio digital no Brasil

Há mais de 10 anos se discute no país que padrão de transmissão digital radiofônica terrestre deve ser adotado sem chegar a um acordo. Nesse período foram realizados testes com HD Radio e DRM, tecnologias que permitem a convivência do sinal analógico e digital no mesmo canal e frequência por algum tempo.

Os resultados parciais dos testes não animaram, a considerar que as duas tecnologias não funcionam bem para o AM: reduzem a cobertura original, a propagação deixa áreas de sombra maiores do que as analógico, além de serem susceptíveis ao ruído urbano. Significa que os padrões de digitalização disponíveis ainda são incompletos e apresentam aspectos críticos para sua adaptação a realidade das emissoras brasileiras. O Ministério das Comunicação realizou novos testes no ano passado com HD Radio e DRM e pretende divulgar os resultados até março de 2012.

A digitalização da transmissão ainda é incerta e não homogênea em boa parte do mundo. Os principais formatos em funcionamento nos Estados Unidos e Europa ainda não foram capazes de conquistar audiência. Nos Estados Unidos apenas 12% da população ouve HD Radio.

Baixe aqui o relatório executivo da pesquisa.

Fonte: Laboratório de Políticas de Comunicação.

www.lapcom.fac.unb.br

Contato dos pesquisadores: Nelia Del Bianco (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) Carlos Eduardo Esch (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )